“Quando se investe na luta contra a desigualdade social dentro das periferias, tornando-as parte das pautas de melhorias e inclusão, toda a sociedade sente o impacto positivo.”
A expressão “desigualdade social” muitas vezes soa como algo complexo e, por isso, acaba sendo pouco trabalhada quando o tema é a criação de planos de ação nas políticas públicas. Contudo, é algo que impacta diretamente a vida de toda a sociedade, especialmente a das populações periféricas. Essa questão requer pautas urgentes nas agendas do poder público, em parceria com a sociedade civil e instituições do terceiro setor.
É nas comunidades carentes, conhecidas como periferias ou favelas, que se concentram de forma visível as consequências da desigualdade social.
Ao olhar para dentro dessas comunidades, logo se percebe a ausência de saneamento básico, moradia digna, mobilidade urbana, segurança, lazer e investimentos em educação e saúde. Esses serviços são escassos, dificultando o acesso da população local a direitos fundamentais, como uma rede básica de saúde, educação, esporte, segurança e lazer de qualidade.
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*Como se nota a vítima da desigualdade social?*
Uma das razões para a perpetuação da desigualdade social é a falta de investimento suficiente por parte do governo e seus gestores. As periferias são compostas, em sua maioria, por habitações precárias, ruas em más condições e serviços básicos de baixa qualidade.
Além disso, o baixo investimento em mobilidade urbana dificulta que os moradores dessas áreas busquem melhores oportunidades em outros bairros ou cidades vizinhas.
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*Quem é digno de não sofrer com a desigualdade social?*
Todos nós precisamos e merecemos as mesmas chances e oportunidades de capacitação educacional e profissional, para que possamos buscar uma vida digna, independentemente de onde moramos.
Para isso, é essencial lutar pela inclusão das periferias nas agendas de planejamento do poder público e de outras instituições, garantindo que essas comunidades se sintam parte integrante da sociedade — porque, de fato, são.
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*Há solução para a desigualdade social?*
Sim! Mudar a realidade das periferias, vítimas da desigualdade social, exige planejamento, projetos e investimentos nas seguintes áreas:
– *Educação local:* As escolas nas periferias, frequentemente esquecidas, funcionam com poucos recursos, limitando o trabalho de diretores e professores. Isso resulta em um atendimento educacional incompleto aos alunos.
– *Saúde básica:* Muitas periferias carecem de agentes de saúde suficientes para acompanhar as famílias, e os postos de atendimento ficam distantes, dificultando o acesso. Com isso, a população adoece mais frequentemente e de forma mais grave. Quando procuram atendimento, muitas vezes já estão em estado crítico, o que pode levar a complicações graves ou até a óbito.
– *Espaços comunitários:* Centros comunitários dirigidos por associações locais podem receber projetos de organizações como CRAS, CRESCER, empresas privadas e instituições do terceiro setor. Esses espaços podem oferecer cursos de capacitação profissional, atividades esportivas e lazer, promovendo desenvolvimento social.
– *Moradia digna e serviços básicos:* É urgente melhorar as condições de moradia, ampliar o acesso a saneamento básico, água potável, internet de qualidade, segurança e mobilidade urbana, assegurando dignidade à população periférica.
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*Qual a relação entre desigualdade social e desigualdade racial?*
Ao tratar da desigualdade social, não se pode ignorar que a maioria dos moradores das periferias e favelas são pretos, pardos e afrodescendentes. Isso demanda um trabalho intenso e assertivo contra o racismo.
As estatísticas mostram que a maior parte das mortes por violência — seja policial ou de outra natureza — nas periferias são de pessoas pretas. Portanto, o enfrentamento da desigualdade social também passa pelo combate à desigualdade racial.
A luta contra a desigualdade social exige união, força de vontade e políticas públicas eficazes.
Além disso, as periferias, por meio de suas associações de bairro, precisam desenvolver estratégias, como diagnósticos participativos e planos de ação, para reivindicar seus direitos e cumprir seus deveres.
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*Somos todos cidadãos brasileiros dignos de sentar à mesma mesa. Contudo, para alguns, o caminho até a casa da ceia ainda é longo, e muitos seguem a pé. Queremos igualdade com equidade; caso contrário, nunca alcançaremos a verdadeira liberdade.*